QUERO UM JARDIM!

Fazer um jardim exige muito mais detalhes do que as pessoas imaginam, são detalhes simples de se compreender porém determinantes para o bom desenvolvimento do paisagismo instalado.

Aqui daremos todas as dicas importantes para que você possa desenvolver seu jardim com sucesso, tudo em apenas 7 PASSOS!

  • PASSO 1 - DETERMINAR O ESPAÇO

Luminosidade:

O local deve ter luminosidade natural, não necessariamente raios de sol atingindo diretamente o espaço porém precisamos no mínimo de bastante claridade. Sem luminosidade as plantas não sobreviverão por muito tempo, mesmo que sejam espécies que apreciam a sombra total elas acabarão ficarão estioladas* e opacas.

*Estiolamento acontece quando há um espaço maior que o normal entre uma folha e outra, indicando que a planta está ficando o mais longa possível a "procura" de mais luz.

Ventilação:

A ventilação é fundamental. Se for um local que fique sempre fechado, sem a entrada de ar puro, dificilmente as mudas conseguirão realizar suas funções naturais (elas realizam trocas gasosas, além da evapotranspiração). Como consequência da falta de ventilação as mudas irão definhar aos poucos até causar sua morte.

Drenagem:

A drenagem do solo é de extrema importância, ou seja, o solo em que as plantas estão inseridas deve conter uma saída para a água, evitando assim o encharcamento. Mesmo as plantas que apreciam regas abundantes não suportam solos encharcados, a não ser que sejam destinadas especificamente para esses ambientes o que limita drasticamente as possibilidades de escolha. O ideal é que o solo esteja seco antes de receber a próxima rega, mesmo que seja diária, assim evitamos o excesso de umidade que causa podridão das raízes muitas vezes irreparável.

Obs.: temos a possibilidade de plantio em cachepos (“vasos” decorativos sem furos). Nesse caso, além de escolher plantas adequadas para esse cultivo, as regas devem ser mínimas apenas umedecendo o solo para que as raízes absorvam a água. Nada de regas abundantes uma vez que a água ficará acumulada no fundo do recipiente, causando a podridão das raízes que comentamos anteriormente.

  • PASSO 3 - DEIXANDO O SOLO ADEQUADO

Terra solta:

O solo adequado não pode ser compactado, ou seja, deve ser revirado e consequentemente aerado. A terra compactada dificulta o desenvolvimento das raízes, fazendo com que elas não consigam penetrar no solo limitando drasticamente seu desenvolvimento. Uma atitude que auxilia muito a manter a terra aerada é a adição de matéria orgânica como estercos e húmus de minhoca ao substrato (dependendo da espécie da planta) além de elementos inertes excelentes para cumprir essa função como a vermiculita e a perlita.

Terra sem entulhos:

Solos preenchidos com entulho, principalmente para nivelamento do espaço durante a construção, devem ser limpos e enriquecidos com terra rica em matéria orgânica. Os entulhos acabam tirando o espaço que as raízes teriam para se desenvolver limitando seu desenvolvimento.

Solo pobre:

Solos pobres, sem nutrientes, não são adequados pois não irão conter as substâncias que as plantas precisam. Se esse for o caso do seu terreno destinado ao paisagismo aconselhamos que todos os plantios recebam a adição de terra vegetal ou substrato. Esse processo é bem simples: observe o tamanho do torrão da planta (parte onde as raízes se encontram) e faça uma cova de plantio com o dobro desse tamanho; após acomodar a muda no espaço (sem soterrar a parte do caule) preencha o restante com substrato de qualidade ou terra vegetal rica em matéria orgânica (essa escolha dependerá da espécie de planta que será cultivada).

Correção do PH:

O solo do Brasil é naturalmente ácido, o que não agrada boa parte das plantas destinadas ao paisagismo, nesse caso é importante a correção do PH através da aplicação de cálcio. Essa correção deve ser feita uma vez por ano.

 

Para aqueles que não querem ter esse trabalho periódico será necessário selecionar espécies que apreciem essa acidez constante, o que irá limitar drasticamente as opções de plantas para compor o paisagismo. 

  • PASSO 5 - TRATAMENTO DE PRAGAS

Muitas áreas destinadas ao paisagismo estão tomadas por gramíneas e ervas indesejadas, consideradas pragas. Essas costumam ser muito resistentes o que incide na retirada antes de qualquer implantação de jardim. Seguem abaixo algumas sugestões de como eliminar as ervas daninhas do seu espaço:

Enxada:

Retirar manualmente com ferramentas, visando sempre a extração das plantas com raízes. Se a retirada se limitar apenas as folhas e caules (partes expostas fora da terra) as pragas irão rebrotar novamente, estragando toda a estética do paisagismo instalado. Um detalhe importante é que poderá ficar no solo alguns resquícios dessas ervas daninhas, como rizomas, bulbos ou raízes, fazendo com que parte delas rebrotem com o passar do tempo.

Cobrir com lona preta:

A cobertura do espaço com lona preta faz com que as pragas sejam abafadas impedindo os processos de fotossíntese, causando a morte eminente. Essa é uma opção que leva bastante tempo para ser concluída (talvez meses). Um ponto importante é que também poderá ficar alguns rizomas, bulbos ou raízes dessas ervas daninhas, fazendo com que uma pequena parte volte a surgir em meio ao jardim.

Aplicação de produtos específicos:

Há produtos destinados para esse fim disponíveis no mercado, sendo a opção mais eficiente. Esse procedimento pede que a aplicação seja feita nas folhas das pragas que é onde elas irão absorver o produto levando até as suas raízes (esse processo leva de 10 a 20 dias). A grande vantagem é que diminui drasticamente qualquer possibilidade de rebroto e não deixa resquícios no solo (são produtos foliares que atingem apenas as plantas sendo totalmente inertes no solo). 

Depois da morte das pragas você poderá retirá-las manualmente, as quais sairão com facilidade, e fazer o plantio em seguida no mesmo espaço sem qualquer consequência negativa para as novas mudas. 

  • PASSO 7 - CUIDADOS INICIAIS

Os jardins envolvem cuidados periódicos, mesmo aqueles compostos apenas por plantas de baixa manutenção terão algumas exigências ao longo do tempo, como podas, adição de nutrientes, regas e/ou transplantes. Como cada tipo de jardim envolverá cuidados específicos, descreveremos aqui apenas as exigências iniciais importantes ao terminarmos a implantação de um paisagismo:

Rega:

A água se faz fundamental para que as plantas se adaptem ao novo ambiente inserido. É a umidade que estabilizará as raízes e fará com que as mudas se desenvolvam com sucesso. Mudas menores e gramas por exemplo precisam de água em abundância todos os dias no período da manhã. Falhar um dia de rega, ou regar pouco, podem ser fatais dependendo do que foi inserido no jardim. Na dúvida regue abundantemente todo o jardim após o término repetindo o processo todos os dias de manhã pelos próximos 30 a 60 dias – essa frequência dependerá do tipo de plantas escolhidas, assim como seus tamanhos, além da época do ano em que foi feito o plantio.

Obs.: por que as regas devem ser sempre no período da manhã? As plantas precisam de água durante o dia, enquanto estão em seu pleno trabalho de fotossíntese, nesse caso se regarmos no final da tarde ou a noite as raízes não irão absorver a água da melhor forma já que estarão fazendo outros processos, como a respiração radicular por exemplo. O solo encharcado durante a noite, além de atrapalhar outros processos, resulta em um ambiente propício a fungos que são extremamente prejudiciais as plantas. Para entender melhor essa necessidade na prática vamos descrever uma situação: imagine que você trabalhe sob o sol durante o dia, com sede, e tome água apenas a noite quando chegasse em casa para o seu descanso; não seria muito mais motivador para realizar suas funções se você pudesse tomar água durante o dia enquanto sentisse sede? Esse é o mesmo caso das plantas ;)    

Enraizador:

Existem produtos disponíveis ao consumidor que aceleram o processo de enraizamento das mudas, as estabilizando no novo ambiente muito mais rápido que o previsto. Estes são chamados enraizadores que devem ser aplicados uma vez por semana, normalmente sendo diluídos em água para fazer a rega, em uma frequência de 4 a 6 semanas. Após esse período é importante fazer uma pausa antes de retomar esse processo (caso seja da sua vontade).

Obs.: os enraizadores também podem ser aplicados em plantas já estáveis e até mesmo orquídeas, dando resultados surpreendes e muito visíveis quando usados da forma correta e sem excessos. 

  • PASSO 2 - ESCOLHA DAS PLANTAS

Primeira seleção:

Será determinante para o bom andamento do jardim a seleção das espécies de plantas que se adequem ao ambiente escolhido. Sempre iniciamos com a observação da incidência de sol no espaço: poderá ser sombra total, meia sombra ou sol pleno, sendo essa a característica que te levará para o grupo de plantas ideal. Plantas de sol inseridas em ambientes de sombra não se desenvolvem e/ou estiolam, além de ficarem totalmente suscetíveis a doenças e pragas de jardim. Já o contrário, plantas de sombra inseridas sob o sol causarão queimaduras em suas folhagens impedindo brotação e desenvolvimento, até causar a morte.

Obs.: ao se fazer a observação da incidência de sol devemos considerar que ele muda sua posição drasticamente dependendo da estação do ano. O posicionamento dos raios de sol durante o verão não é o mesmo no inverno, o que devemos prever antecipadamente para termos sucesso no jardim durante o ano todo.

Segunda seleção:

Após determinar o(s) grupo(s) de plantas que se adequam ao seu espaço, - afinal seu jardim pode ter diferentes tipos de ambientes incluindo desde sombra total a sol pleno - faça uma segunda seleção onde você unirá as espécies de cuidados parecidos. Por exemplo, se o seu ambiente tem uma boa incidência de sol direto e pretende fazer um jardim de cactos que aprecia o calor e solo seco, não coloque arbustos de flores que necessitem de regas diárias dividindo o mesmo espaço no substrato.

  • PASSO 4 - DISPOSIÇÃO DAS PLANTAS

Após a seleção das plantas adequadas aos espaços destinados, assim como a combinação delas de acordo com as necessidades de regas, é necessário pensar em como elas ficarão futuramente antes de determinar a disposição e plantá-las.

Normalmente fazemos um jardim para durar por muitos anos, sem que haja preocupação com as plantas escolhidas futuramente. Nesse caso é importante analisarmos o tamanho que as mudas atingirão - pensando que algumas podem fazer sombra para outras, podem atingir alturas que afetem a construção próxima, ou até mesmo chegar a alturas indesejáveis em relação a estética inicial planejada. Quando falamos em tamanho estamos nos referindo a todas as direções, seja na altura ou na abertura que essas mudas terão no futuro.

Além da altura e abertura devemos analisar o espaço que cada muda ocupará. Algumas plantas têm uma tendência gigantesca a se espalhar, o que pode ocupar a área de outras rapidamente, aumentando drasticamente a necessidade de manutenções constantes para conter essa invasão. Lembrando que nas florestas, onde as plantas estão em seu habitat natural, é uma competição constante em busca de luz, nutrientes e espaço. Pensando nisso as mudas que tiverem mais disposição para se espalhar poderão tirar o espaço de outras, até que essas não tenham solo e/ou energia suficientes para se manter, definhando aos poucos até desaparecerem por completo.

Um conselho sobre a estética:

É interessante deixar as mudas mais altas atrás e as mais baixas na frente, assim nenhuma delas irão ser tampadas com o tempo fazendo com que possamos apreciar visualmente todas as espécies escolhidas para o jardim.

  • PASSO 6 - O PLANTIO

Limitadores:

Após decidir a disposição de todas a plantas e preparar o solo, devemos começar com a inserção do limitador de grama. Os limitadores de grama (ou limitadores de canteiros) são peças maleáveis com cerca de 11,5 cm de altura, que devem ser inseridos no solo para formar os desenhos planejados no jardim. Ele auxilia na formação de “manchas” no paisagismo, podendo limitar espaços de pedriscos, cascas, plantas ornamentais ou grama. Como ele é inserido dentro da terra, deixando apenas uma pequena borda para fora, os limitadores impedem que as plantas se espalhem para locais indesejados, nesse caso damos a possibilidade de conter espécies e organizar nosso jardim evitando constantes manutenções. Quando há grama no paisagismo os limitadores se tornam muito importantes: a grama tem tendência a se espalhar adentrando os espaços com plantas prejudicando a estética desejada, além de acabar sugando toda a água, espaço, energia e adubos que inserimos para as plantas ornamentais. Em resumo, a grama vai tomando todos os nutrientes do solo onde ocupa fazendo com que as plantas definhem quando não recebem seu espaçamento adequado.

Como não é algo muito simples de se instalar, exigindo certa paciência e capricho, os limitadores acabam sendo descartados do paisagismo. Nesse caso aconselhamos que a grama seja retirada quando se aproximar das mudas, deixando pelo menos um palmo de distância de seus caules. Essa escolha incide em manutenções bem mais frequentes, onde a grama deverá ser retirada manualmente.

Nunca soterre partes do caule:

Depois dos limitadores instalados (ou não) devemos fazer as covas para plantarmos as mudas escolhidas. As covas devem ter o dobro do tamanho do torrão das plantas, sendo preenchidas com substrato adequado para auxiliar o enraizamento. Uma observação muito importante é nunca soterrarmos o caule das plantas. A terra deverá cobrir apenas a parte das raízes e nunca o caule, caso isso ocorra a planta entenderá que naquela área soterrada deverá conter raízes, e acaba focando toda a sua energia no caule sob a terra para que consiga cumprir essa tarefa. Algumas plantas conseguem fazer esse processo e sobrevivem, porém a grande maioria acaba definhando ou ficando estagnadas por anos.

Raízes intactas:

Ao tirar as mudas das embalagens, para replantá-las, aconselhamos que mantenha o torrão intacto, ou seja, mexa o mínimo possível nas raízes evitando que as plantas “sintam” esse processo.  

Uso de fertilizantes no plantio:
A aplicação de fertilizantes não é aconselhada no momento do plantio, a não ser que sejam de liberação lenta – como o Forth Cote por exemplo. Fertilizantes minerais comuns devem ser aplicados apenas 30 dias após o plantio, evitando estresses contínuos nas plantas (o replantio já é um estresse e o fertilizante será outro). Muitos plantios que recebem fertilizantes em seguida acabam prejudicando as plantas de forma irreparável, e um dos sinais iniciais que podem ser observados é a queimadura das folhas (normalmente iniciando da ponta das folhas para o centro).  

Obs.: fertilizante é diferente de adubo. Muitos adubos podem ser inseridos no momento do plantio pois envolvem origem orgânica como estercos e húmus. Já os fertilizantes são produtos derivados de minérios com alta concentração de NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). Os adubos também possuem NPK porém em uma dosagem bem reduzida quando comparado aos fertilizantes.