ERVAS E TEMPEROS

O cultivo de ervas e temperos está em crescente expansão nos lares brasileiros. Temos o clima perfeito para plantar nosso próprio alimento, o que fica cada dia mais necessário quando nos deparamos com os inúmeros benefícios dessa prática.

Saber a origem do seu alimento é fundamental, visto que hoje as empresas – mesmo as que têm grande credibilidade no mercado – usam recursos nada naturais e muitas vezes nocivos ao nosso corpo, com a finalidade de melhorar suas produções sem analisar profundamente as consequências da ingestão a longo prazo.

São conservantes, corantes e uma infinidade de substâncias adicionadas com nomes complexos que nos afastam do entendimento do que estamos ingerindo diariamente. Pensando nisso estamos sempre incentivando a população a cultivar seu alimento em casa, de forma simplificada e prática, sem atrapalhar a rotina das famílias que cada vez mais tem seu tempo limitado.

  • SOLO

O solo deve conter uma boa drenagem, isto quer dizer que a água nunca deve ficar acumulada. Mesmo quando regamos em abundância, temos que perceber que a água escoa por completo mantendo o solo apenas úmido, e não encharcado.

Para auxiliar nessa tarefa aconselhamos o uso de pedras, argilas expandidas ou até mesmo cacos no fundo dos vasos. Essa prática faz com que a água desça para essa camada sem ficar acumulada na terra onde se encontram as raízes das mudas. Se o plantio for no chão não é necessário fazer essa camada no fundo da cova, porém aconselhamos que a cova de plantio tenha no mínimo o dobro do tamanho do torrão da planta, completando com terra vegetal de qualidade e rica em matéria orgânica.

As terras vegetais comercializadas, quando de qualidade, já possuem o PH corrigido – o solo do Brasil é naturalmente ácido, o que incide em uma correção periódica com o uso do calcário – porém no chão é sempre interessante se fazer a correção do solo (de 3 a 4 vezes no ano) para garantir o bom desenvolvimento das mudas.

O uso de matéria orgânica se faz fundamental. Estercos e húmus dão resultados surpreendentes às hortas independente de seu tamanho. Atualmente contamos também com fertilizantes de origem mineral (industrializados), muitas vezes até específicos para esse cultivo, auxiliando no enriquecimento do solo de forma significativa quando utilizados de forma correta.

As ervas e temperos têm tendência a se espalhar, o que dificulta a manutenção quando plantamos mais de uma espécie no mesmo vaso. Considerando que as plantas são seres vivos, o ambiente em que estão inseridas envolve uma competição por busca de espaço. Nesta competição algumas vão sobressair a outras fazendo com que seja mais viável as plantarmos separadamente, a não ser que tenhamos disponibilidade de tempo para retirar os brotos que estão se desenvolvendo no local errado.

  • REGAS

As ervas e temperos pedem regas diárias. Caso a incidência de sol seja maior que as 4 horas diárias recomendadas, pode haver a necessidade de até 2 regas ao dia.

O conselho básico é que sempre se aguarde o solo secar antes de receber a próxima rega, para não haver excesso de umidade nas raízes.

Como a umidade do solo pode variar de acordo com a época do ano – épocas mais frias o solo vai demorar mais para secar – sempre aconselhamos uma técnica simples e muito eficaz: tocar o solo com os dedos para ver se ainda está úmido. Se ainda estiver úmido da rega anterior, não precisa regar naquele momento.

Quando há excesso de água as folhas costumam ficar amareladas (não marrons, mas em tons de amarelo). Quando há falta de água as folhas ficam murchas (um instinto natural das plantas é fechar as folhas ou murchar para impedir parte da transpiração, conservando a umidade ainda existente).

A rega principal deve ser feita sempre no período da manhã, afinal as raízes das plantas absorvem a umidade em abundância apenas das 10 da manhã as 2 da tarde. Após esse horário aconselhamos a rega apenas se a mesma não tiver ocorrido no período da manhã, não se tornando uma prática frequente considerando que não é a opção mais saudável para as mudas.

Quando estiver muito calor, ou houver maior incidência de sol (que faz com que o solo seque rapidamente), a segunda rega do dia deve ser branda, apenas umedecendo o solo para que as mudas aguentem até o próximo dia, quando a rega em abundância ocorrerá no período da manhã.

Muitas vezes somos questionados pela necessidade das regas no período da manhã, e mesmo quando falamos do horário da absorção das raízes ainda há a dificuldade de se convencer a pessoa que cultiva dessa importância. Nesse caso damos um exemplo simples e de fácil entendimento: imagine que você trabalhe sob o sol durante um certo período do dia, porém tome água apenas a noite, quando o serviço é terminado. Não seria muito mais saudável e incentivador ao seu trabalho se você tomasse água durante o ápice dos seus esforços? Ou você ainda sim preferiria trabalhar com sede sob sol, para receber água apenas quando fosse descansar?

O grande diferencial de um jardim de sucesso é o entendimento das pessoas que o cultivam. É imprescindível compreender que as plantas são seres vivos, e que possuem necessidades específicas que devem ser respeitadas.

  • INCIDÊNCIA DE SOL
     

De modo geral as ervas e temperos precisam de 4 horas de sol diárias. Quando falamos da incidência de sol estamos nos referindo ao contato com os raios de sol diretamente, e não apenas claridade. Algumas espécies pedem um pouco mais e outras um pouco menos, porém seguindo essa média de 4 horas diárias as hortas residenciais têm um grande potencial de se desenvolver de forma plena.

Se sua horta não receber sol o suficiente as mudas acabam ficando estioladas, isso quer dizer que ficam compridas justamente pela procura de mais sol (observe a competição das árvores da floresta, quem é mais alto – mais comprido – recebe mais sol e consequentemente se desenvolve melhor e com mais força, ou seja, esse é um instinto natural das plantas). Sabemos que a planta está estiolada quando a distância de uma folha para outra é maior que o esperado.

Um outro problema que acontece, com a falta de sol, é o incentivo de doenças de jardins como os fungos por exemplo.

Caso sua horta esteja recebendo sol em excesso algumas folhas podem ficar queimadas. As queimaduras de sol são marrons e secas, normalmente iniciando na ponta das folhas para o centro.

Quando planejar o plantio de ervas e temperos em seu espaço sempre observe o sol em diferentes estações do ano. Considerando que a incidência opera em ângulos bem diferentes no verão e no inverno, é sempre interessante analisar o local em todas as épocas antes de iniciar os cultivos.

  • PLANTIO EM VASOS OU NO CHÃO

Em vasos devemos entender que todos os nutrientes e até mesmo a água serão adicionados pelo cuidador das mudas. Ou seja, as regas e a adição de adubos se fazem fundamentais uma vez que não há possibilidade das plantas buscarem os mesmos de forma independente, a não ser que você os adicione.

No chão há necessidades menores de cuidados diários, já que as mudas têm espaço ilimitado para se desenvolver buscando seus nutrientes e umidade de modo mais independente. Claro que isto pode ser bem variável pensando que há solos totalmente pobres que ainda sim precisarão de dedicação para transformá-lo em um ambiente propício para as mudas.

Lembrando que ervas e temperos tendem a espalhar, o que incide em uma análise do local onde serão plantadas para que não invada o espaço de outras espécies no jardim.

  • ADAPTAÇÃO DAS PLANTAS

Uma observação muito importante é que as plantas são seres vivos, e assim como nós podem se adaptar a locais e cuidados diferentes das regras de cultivo padronizadas. Nesse caso não há regras 100% inquestionáveis quando se trata de cultivos. O interessante é iniciar os primeiros plantios seguindo um padrão, para que haja sucesso, mas ficar atento aos sinais que as plantas podem nos dar para que nos adaptemos as suas necessidades.

Plantas cultivadas no sol irão sentir caso sejam colocadas na sombra total de modo imediato. Assim como plantas na sombra sentirão bastante caso sejam colocadas sob o sol pleno sem um período de adaptação. Nesse caso as mudanças de ambientes devem ser feitas de forma gradativa para que evitemos reações negativas das mudas. Esta dica se aplica principalmente as espécies versáteis do paisagismo, que se adaptam a ambientes de sombra total até sol pleno.

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